setembro 14, 2002

Hoje fui convidada para uma feijoada de um amigo nosso de muitos anos. Na verdade, um cozido. Já se vê que é uma amizade de muitos anos e de alguns esquecimentos e pequeninas trocas.

Achando que seria feijoada, não entendi como não tinha caipirinha e, acreditem, foram fazer para mim e para todos os outros, que já sabiam que era cozido, mas embarcaram juntos no meu mico caipiresco. Quando vi que era cozido, aí entendi o porquê de não ter caipirinha, mas já era tarde, tomei duas e estavam absolutamente divinas.

Tantos anos de amizade e os encontros poucos frequentes são sempre gratas supresas. Ninguém repara se o outro envelheceu ou não. Pelo contrário, acho que num comportamento de auto-preservação, você trata de procurar no amigo o que não mudou. Não são muitos os achados externos, pois o tempo passa para todos, mas você encontra num o mesmo furinho no queixo; no aniversariante, os olhinhos brilhantes, que parecem sempre sorrir e a quem aconselhei passar a usar rabo de cavalo, pois acho que ficaria um charme nele; e afinal, o carinho nos olhos de todos, que é o que mais conta. E nesses encontros, forma-se um verdadeiro conselho deliberativo sobre o que cada um tem que fazer para dar conta das suas mazelas. E é uma palpitada só.

O marido foi pra berlinda e só não vai ficar bom se não quiser, pois recebeu todos os tratamentos possíveis, até uma pomada que é ótima para luxação em cavalos. Como a parte atingida da coluna é grande esse foi o único conselho não levado adiante.

E toda essa tarde, comandada pela mãe do aniversariante, uma adorável amiga de 90 anos, a maior gracinha, que não queria que eu fosse embora, pois gosta de mim como gosto dela. Minha sugestão para ela foi que invente novos aniversários, só para nos vermos mais e resolvermos os todos os problemas uns dos outros.

Só amigos de verdade podem se meter assim na vida da gente, não é mesmo?