junho 27, 2001



Setor de reclamações -- Fechado!!
Tenho certeza de que a função principal de qualquer um que se coloque como cliente é reclamar. Constatei isso hoje. Como não escrevi ontem, vários leitores (na verdade dois) me disseram com um ar de velada censura: você não colocou nada novo. Fiquei radiante com a certeza de dois leitores assíduos! Você lembra que era um só? Vou dizer o porquê de não ter escrito ontem, se bem que talvez ninguém queira saber, mas essa é uma das vantagens de você ter um blog. Você escreve assim mesmo.

Bem, ontem comprei o Cd da Dido - no angel. Sabe aquelas músicas que te dão uma leseira? Aquela relaxada, como só as boas coisas da vida nos dão? Não tem nada a ver com deprê; tem a ver com se dar um tempo e ouvir. É um transporte a como as coisas na sua vida poderiam ser, e aí, você pára e pensa. Meu analista (outra vez ele!) me disse uma vez: Já se perguntou por que não? Foi nisso que pensei. Por que não?

Aparentemente há um determinismo vital, fruto de decisões anteriormente tomadas, que não sei porque motivo, cremos imutáveis. Como eu disse certa vez a uma amiga, disseram para nós e nós acreditamos!

Viajei certa vez com um americano que saiu de lá e nunca mais quis ser outra coisa em seu país a não ser turista. Uma pessoa interessantíssima, pianista e afinador de piano dos grandes mestres brasileiros. Estávamos vindo de Nova York. Foram 8 horas de vôo, conversa e conhecimento. Que aliás acabou ali, pois depois vi que no cartão que eu lhe dei, constava apenas um email que eu já desativara há muito tempo. Ato falho? Freud talvez explicasse, mas mesmo que ele não soubesse, eu sei o porquê da falha.

Bem, voltando ao determinismo vital. Você vê, uma pessoa sai de seu país, parte para outro, começa tudo outra vez. Segundo ele, por causa da mulher brasileira -- isso eu achei que fosse gracinha dele e não considerei, é claro. Aí você vai dizer, mas ele é um artista e artista é aventureiro. E aí? Quem não é artista? Todo dia, toda hora? As concessões, dissimulações e sapos engolidos; aquele esgar nervoso, que coloca o falso sorriso em seus lábios; o se segurar para não dizer o que sente; o riso preso, numa hora em que rir seria imperdoável; a cara séria e o pensamento a quilômetros de distância de tudo aquilo; o estar com um e pensar no outro e por aí iríamos se eu e você tivéssemos paciência.

O importante em tudo isso é que amanheci, com uma vontade danada de viver. John Lenon (será que foi ele?) disse que vida é aquele momento em que você está planejando o futuro. Não sei se eram exatamente essas palavras, mas a frase é o máximo! Sabe até uma tarefa para lá de rotineira que eu tinha que fazer no trabalho saiu legal.

É chato. É restritivo. É limitado você ser feliz somente dentro do que é possível? É. É chatérrimo. Mas enquanto você não consegue ampliar esse possível para ser mais feliz, e se você não lutar para essa ampliação nem precisa ler mais o meu blog (menos), por que não ouvir pelo menos bons cds?

E ser feliz, muito, muito feliz, assim que for possível? E correr para que esse possível seja logo. Por que não??? Estou muito inteligente hoje!